Financiamentos de imóveis crescem 6,6%, mas entrada média supera 35%
Brasil financiou 507 mil imóveis no primeiro semestre de 2026. Entenda o avanço do crédito e por que a entrada continua decisiva para comprar.

O Brasil registrou 507.299 financiamentos de imóveis residenciais no primeiro semestre de 2026, entre casas e apartamentos. O total foi 6,6% maior que o do mesmo período de 2025, quando ocorreram 475.748 operações, segundo levantamento da Trillia, unidade de dados e inteligência da B3, divulgado em 31 de agosto.
O avanço confirma que mais compras chegaram ao contrato de financiamento. Mas outro número ajuda a dimensionar o esforço de quem adquiriu um imóvel: em média, os compradores financiaram 64,8% do valor dos apartamentos e 62,8% do valor das casas. A parcela não financiada, portanto, ficou acima de 35% nas duas categorias.
Essa média não é uma entrada mínima definida para todos os clientes. Ela retrata as operações realizadas no período e pode variar conforme renda, avaliação do imóvel, modalidade de crédito e regras de cada instituição.
Casas puxaram o crescimento do semestre
Os financiamentos de casas passaram de 255.776 no primeiro semestre de 2025 para 285.900 em 2026, alta de 11,8%. Nos apartamentos, o movimento foi bem mais moderado: de 219.972 para 221.329 contratos, crescimento de 0,6%.
O estado de São Paulo liderou o levantamento, com 34,7% de todas as operações do país. A participação paulista chegou a 39,6% nos financiamentos de casas e a 28,4% nos de apartamentos. O dado é estadual; ele não permite concluir que todos os bairros da capital tiveram o mesmo comportamento.
Também não se trata de uma contagem de propostas enviadas ou de pessoas interessadas em comprar. A base acompanha financiamentos e créditos imobiliários registrados no ecossistema da B3. Por isso, o número mostra operações que avançaram, mas não informa quantos pedidos foram recusados, qual foi a renda dos compradores ou quanto tempo cada análise levou.
Entrada média não é regra do banco
Quando a B3 informa que 64,8% do apartamento foi financiado, a diferença média até o preço total é de 35,2%. Para as casas, o percentual financiado de 62,8% deixa uma diferença média de 37,2%.
Em uma compra hipotética de R$ 500 mil, essas proporções corresponderiam a:
- apartamento: R$ 324 mil financiados e R$ 176 mil cobertos pelo comprador;
- casa: R$ 314 mil financiados e R$ 186 mil cobertos pelo comprador.
O exemplo apenas traduz a média do levantamento. Uma simulação real pode financiar uma proporção maior ou menor. O banco considera o perfil de crédito, a capacidade de pagamento, o prazo, a modalidade escolhida e o valor atribuído ao imóvel na avaliação.
Há ainda despesas da aquisição que precisam ser estimadas à parte, como imposto de transmissão, registro, avaliação e eventuais custos contratuais. Usar toda a reserva na entrada pode deixar o comprador sem margem para essas despesas, mudança, reforma ou imprevistos depois das chaves.
Mais contratos não significam crédito barato
O levantamento mede quantidade de operações, não o custo dos financiamentos. É possível que o volume cresça mesmo com juros elevados, por mudanças na oferta de recursos, no perfil dos imóveis negociados ou na composição entre modalidades.
Um segundo indicador reforça a atividade recente, mas usa outro recorte. Segundo a Abecip, os financiamentos feitos com recursos da poupança pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo somaram R$ 20,96 bilhões em julho de 2026, recorde para o mês. Foram 57,9 mil unidades, 61,2% acima de julho de 2025.
Os números da B3 e da Abecip não devem ser somados: eles cobrem bases, fontes de recursos e períodos diferentes. Lidos em conjunto, mostram que o crédito imobiliário ganhou volume em 2026, sem indicar que qualquer comprador encontrará a mesma taxa ou receberá aprovação.
Para comparar propostas, o Banco Central recomenda observar o Custo Efetivo Total. O CET reúne juros, tarifas, impostos e outras despesas da operação. Uma taxa anunciada menor pode não representar o contrato mais barato quando os demais encargos entram na conta.
SFH concentrou a maioria das operações
O Sistema Financeiro da Habitação respondeu por 58% dos contratos de apartamentos e 63,4% dos de casas no primeiro semestre. Segundo a B3, o SFH é mais usado na compra da moradia principal e possui regras próprias, incluindo limite para o valor do imóvel.
O Sistema de Financiamento Imobiliário concentrou 40% das operações com apartamentos e 32,9% das realizadas com casas. O SFI costuma atender situações fora das regras do SFH e oferece condições definidas pelas instituições financeiras.
Identificar a modalidade é importante porque dois compradores interessados no mesmo imóvel podem receber propostas diferentes. Prazo, taxa, sistema de amortização, seguros e índice de atualização precisam ser comparados com as mesmas premissas de preço e entrada.
Como organizar a compra antes de escolher o imóvel
Para quem procura um imóvel na Zona Leste, a expansão no número de financiamentos não elimina a necessidade de alinhar busca e orçamento. Uma pré-análise ajuda a definir uma faixa de preço, mas não substitui a aprovação do imóvel e das condições finais do contrato.
Antes de assumir um compromisso, o comprador pode organizar cinco informações:
- quanto da reserva ficará disponível para a entrada sem consumir a margem de emergência;
- qual prestação cabe na renda junto com condomínio, IPTU e manutenção;
- quanto será necessário para despesas de compra e eventuais reparos;
- quais propostas apresentam o menor CET para o mesmo prazo e valor financiado;
- se a documentação do comprador, do vendedor e do imóvel está pronta para análise.
Em Vila Prudente, Vila Lúcia e bairros próximos, unidades com preços semelhantes podem gerar necessidades diferentes de caixa. Um apartamento com condomínio mais alto, uma casa que exige reforma ou um imóvel avaliado pelo banco abaixo do preço negociado mudam a conta mesmo quando a taxa de financiamento é igual.
O que o dado muda para vendedores
O crescimento das operações mostra que há compradores utilizando crédito, mas o financiamento acrescenta etapas à venda. Documentos incompletos, divergências de área ou pendências na matrícula podem atrasar ou impedir a liberação dos recursos.
Também é arriscado fixar o preço apenas pelo limite que um comprador afirma ter aprovado. A instituição financeira fará sua própria avaliação. Se o valor apurado ficar abaixo do preço negociado, a diferença poderá exigir mais recursos próprios e inviabilizar a operação.
Para o proprietário, uma preparação útil inclui conferir a matrícula, reunir documentos, identificar pendências e trabalhar com referências de preço do bairro. Isso reduz surpresas quando aparecer uma proposta condicionada ao financiamento.
O semestre foi mais ativo, mas cada compra continua individual
Os 507.299 financiamentos mostram que o crédito participou de mais aquisições no primeiro semestre de 2026, com forte avanço nas casas e liderança do estado de São Paulo. A entrada média acima de 35%, porém, deixa claro que a reserva do comprador continua sendo parte central do planejamento.
O dado serve para atualizar expectativas, não para prever aprovação. A decisão deve partir de uma simulação vigente, do CET, da avaliação do imóvel e de uma prestação que continue sustentável depois da mudança.
Como a Brandi pode ajudar
Está planejando comprar em Vila Prudente, Vila Lúcia ou em bairros próximos? A Brandi pode ajudar a selecionar imóveis compatíveis com sua faixa de entrada e acompanhar as etapas imobiliárias da negociação.
Planejar a compra com a BrandiFontes consultadas
- B3/Trillia: financiamento de imóveis residenciais sobe 6,6% no primeiro semestre de 2026, publicado em 31 de agosto de 2026.
- Abecip: financiamento imobiliário pela poupança atinge recorde em julho, publicado em 27 de agosto de 2026.
- Banco Central: cuidados ao contratar uma operação de crédito e comparar o CET.
